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Saúde

Dirofilariose canina: o verme do coração em cães

Cão de porte médio deitado em ambiente doméstico com olhar tranquilo, ilustrando os cuidados preventivos contra a dirofilariose canina

Existe uma categoria de doença que engana porque não dá trabalho no começo, e a dirofilariose canina é o exemplo mais claro disso na rotina das clínicas brasileiras: o cão é picado por um mosquito qualquer numa noite de verão, segue correndo atrás de bolinha por meses, come bem, dorme bem, e só quando os vermes adultos já estão instalados nas artérias pulmonares é que aparece a primeira tosse. Nesse ponto, o dano já começou.

O apelido popular, verme do coração, é útil porque comunica a gravidade, e enganoso porque, na maior parte dos casos, o parasita não vive dentro do coração: ele se aloja nas artérias pulmonares, e é a inflamação desses vasos que produz a doença. Entender essa diferença explica por que o tratamento é longo, por que o repouso é obrigatório e por que a prevenção mensal é o melhor negócio que um tutor brasileiro pode fazer pela saúde do seu cão.

Conteúdo atualizado em agosto de 2026. Como todo material de saúde publicado aqui, é informativo e não substitui a consulta com médico-veterinário. O diagnóstico exige exames de sangue específicos, o tratamento usa medicamentos de prescrição que podem ser perigosos fora do protocolo, e a escolha do preventivo depende de teste prévio.

Resposta rápida: a dirofilariose canina é uma parasitose causada pelo nematódeo Dirofilaria immitis, transmitido pela picada de mosquitos comuns no Brasil, entre eles o pernilongo (Culex quinquefasciatus) e o Aedes aegypti. O cão não pega a doença de outro cão nem transmite para pessoas por contato: o mosquito é obrigatório no ciclo. Depois da picada, as larvas levam de 70 a 120 dias para se tornarem vermes adultos, que se instalam nas artérias pulmonares e, em infecções pesadas, no lado direito do coração, onde vivem de 5 a 7 anos. A fase silenciosa dura meses, e os primeiros sinais são tosse persistente, cansaço fácil e intolerância ao exercício. O diagnóstico combina teste de antígeno e pesquisa de microfilárias, e só se torna confiável cerca de 7 meses após a infecção. Existe tratamento adulticida injetável, de prescrição veterinária, acompanhado de restrição rigorosa de exercício. Não existe vacina: a prevenção depende de medicação preventiva mensal indicada pelo veterinário, sempre com teste antes de iniciar.

O que é a dirofilariose canina e por que ela se chama verme do coração

A dirofilariose canina é a infecção pelo verme Dirofilaria immitis, nematódeo que na fase adulta mede cerca de 15 cm nos machos e 25 cm nas fêmeas e se aloja nas artérias pulmonares do cão, e não dentro do coração, como o nome popular sugere.

Esse detalhe anatômico explica quase tudo. Os vermes adultos ocupam os vasos que levam sangue do coração para os pulmões e provocam uma inflamação intensa na parede arterial, que engrossa, perde elasticidade e passa a oferecer resistência ao fluxo. O coração direito bombeia contra essa resistência, se dilata e com o tempo falha. É por isso que a dirofilariose avançada se apresenta como insuficiência cardíaca direita, com barriga inchada por acúmulo de líquido, mesmo sem o parasita ter entrado nas câmaras cardíacas.

Segundo o Manual Veterinário MSD, os vermes adultos vivem tipicamente de 5 a 7 anos no cão, enquanto as microfilárias podem sobreviver até 2 anos na corrente sanguínea. Um cão infectado e não tratado carrega o problema por anos, com dano vascular acumulando, e segue como fonte de microfilárias para os mosquitos do bairro nesse período todo.

Existe uma forma dramática da doença, a síndrome da veia cava, que acontece quando a carga de vermes é muito alta e eles se deslocam para trás, ocupando o átrio direito e as veias cavas. O quadro combina falência cardíaca com destruição de glóbulos vermelhos, produz urina cor de vinho e é emergência cirúrgica. É incomum e se acumula em cães que passaram anos sem prevenção em área de alta transmissão.

Vale separar duas confusões frequentes. A primeira é achar que vermífugo de rotina resolve: os produtos usados para verme intestinal não têm ação sobre as larvas de Dirofilaria immitis na corrente sanguínea, e a lógica do controle de helmintos digestivos é outra, como explicamos no guia de vermifugação de cães e gatos. A segunda é confundir dirofilariose com doença transmitida por carrapato, como a erliquiose canina: são vetores, biologia e prevenção diferentes, ainda que o mesmo cão possa ter as duas coisas.

Como o cão se infecta: o mosquito é obrigatório no ciclo

O cão se infecta exclusivamente pela picada de um mosquito que já carrega larvas infectantes de Dirofilaria immitis, e por isso não existe contágio direto entre cães, nem do cão para o tutor, nem por fezes, saliva ou compartilhamento de comedouro.

O ciclo funciona assim. Um mosquito pica um cão que já tem vermes adultos e suga, junto com o sangue, as microfilárias produzidas pelas fêmeas do parasita, que dentro do inseto se desenvolvem até o estágio infectante. O Manual Veterinário MSD registra que esse desenvolvimento leva de 1 a 4 semanas conforme a temperatura ambiente, podendo cair para 10 a 14 dias quando a média fica acima de 27 graus Celsius. Verão brasileiro, portanto, é a condição perfeita para acelerar o ciclo.

Quando esse mosquito pica outro cão, deposita as larvas infectantes na pele. Elas atravessam o local da picada e migram por tecido subcutâneo e muscular antes de alcançar o sistema vascular. A mesma fonte indica que as larvas se tornam vermes adultos de 70 a 120 dias após a infecção inicial, e que as microfilárias começam a circular no sangue em torno de 6 meses, mais tipicamente entre 7 e 9 meses.

Essa janela longa entre picada e detecção é o que torna a doença traiçoeira: um cão pode ser picado em janeiro, dar exame de antígeno negativo em abril e ainda assim estar infectado.

No Brasil, os vetores relevantes são mosquitos que qualquer morador de cidade litorânea conhece. O artigo de revisão publicado na Ciência Rural aponta que Aedes aegypti e Culex quinquefasciatus estão entre os principais vetores de D. immitis: o mesmo pernilongo do quintal e o mesmo mosquito da dengue que já preocupam a família também importam para o cão. Água parada em pratos de planta, calhas entupidas e caixas d'água destampadas alimentam as duas pautas ao mesmo tempo.

Onde a dirofilariose é mais comum no Brasil

A dirofilariose canina se concentra no litoral brasileiro, com prevalências que passam de 20% em várias cidades costeiras e chegam a mais de 60% em alguns municípios do Rio de Janeiro, enquanto áreas de altitude e do interior registram números bem menores.

O levantamento mais citado é um estudo multicêntrico publicado na Parasites & Vectors, que testou cães em 15 municípios litorâneos do Sul, Sudeste e Nordeste: 23,1% das 1.531 amostras examinadas foram positivas para antígeno de dirofilariose, com pico em Armação dos Búzios, no Rio de Janeiro, onde 62,2% dos cães estavam infectados, seguido por Niterói com 58,6%. Os autores concluem que a queda observada no início dos anos 2000 foi substituída por um aumento na presença do parasita.

Um segundo trabalho, feito em Cabo Frio e publicado na Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária, comparou métodos diagnósticos em 103 cães e encontrou 29,1% de positivos pelo teste sorológico, contra 19,4% pela microscopia e 15,5% pela PCR. Quem procura só microfilária no sangue deixa uma parte considerável dos casos passar.

Nem toda região do país tem o mesmo risco. Publicada na Frontiers in Veterinary Science, uma análise de 16.314 exames hematológicos na Baixada Fluminense encontrou 3,4% de positividade geral, variando de 2,5% em Duque de Caxias a 8,5% em Magé. O mesmo trabalho apontou que cães machos tiveram 38,6% mais chance de infecção do que fêmeas, e animais de 8 a 14 anos, 30,3% mais chance do que os de 1 a 7 anos, reflexo do tempo acumulado de exposição.

No Nordeste, o retrato da Ilha de São Luís segue sendo uma referência incômoda. O estudo publicado nos Cadernos de Saúde Pública avaliou 1.495 cães e encontrou 43% de infecção entre os animais estritamente domiciliados, contra 7% na zona rural, com o bairro litorâneo de Olho d'Água chegando a 52,5%. Morar dentro de casa, em bairro de praia, não protegeu, porque o mosquito entra.

Perfil de localRisco de dirofilarioseO que isso muda na prática
Cidade litorânea, clima quente o ano todoAltoPrevenção mensal sem pausa e teste anual
Região metropolitana com muitos criadourosModerado a altoPrevenção mensal e controle de água parada
Interior de altitude, clima seco e frioMenor, mas não nuloConversar com o veterinário local sobre o esquema
Cão que viaja para o litoral nas fériasAlto durante e após a viagemPreventivo iniciado antes da viagem e mantido depois
Cão que passa a noite no quintalMaior que o de cão domiciliadoTelas, repelente prescrito e manejo do ambiente

Vale lembrar que o mapa muda com o tempo. Clima mais quente, urbanização e trânsito de cães entre cidades ampliam as áreas de transmissão, e assumir que um município é seguro porque ninguém falava do assunto há dez anos é um raciocínio arriscado.

Sinais de alerta: como a dirofilariose se manifesta no cão

O sinal mais comum e mais precoce da dirofilariose canina é a tosse persistente, geralmente acompanhada de cansaço fácil e queda no fôlego durante o passeio, e a maioria dos cães infectados passa meses completamente assintomática antes disso.

A evolução segue uma escala. No estágio inicial não há nada perceptível, e o animal só é descoberto em exame de rotina ou em triagem de doação de sangue. Depois surge a tosse seca, atribuída a engasgo, coleira apertada ou poeira. Em seguida aparecem intolerância ao exercício e respiração ofegante em repouso, confundidas com envelhecimento. Nos quadros avançados entram emagrecimento, desmaios após esforço, mucosas pálidas, abdômen distendido e, em casos graves, tosse com sangue.

Cães de trabalho, de esporte ou muito ativos mostram sinais mais cedo, porque a limitação vascular fica evidente quando há demanda. Cães sedentários e obesos mascaram o problema por mais tempo, já que raramente se esforçam o suficiente para revelar a insuficiência, mais um motivo para levar a sério o controle de peso, assunto detalhado no guia sobre obesidade em pets.

Nenhum desses sinais é exclusivo da dirofilariose. Tosse crônica em cão tem causas que vão de traqueobronquite infecciosa a colapso de traqueia e doença valvar. Diante de um cão que tosse há mais de alguns dias, a resposta correta não é procurar xarope, e sim marcar consulta.

Como o veterinário diagnostica

O diagnóstico da dirofilariose canina se apoia na combinação de um teste de antígeno, que detecta proteínas liberadas por fêmeas adultas, com a pesquisa de microfilárias no sangue, e o exame só se torna confiável cerca de 7 meses depois da infecção.

Esse prazo é a informação mais mal compreendida do tema. O Manual Veterinário MSD explica que o teste de antígeno tende a ficar positivo aproximadamente 7 meses após a exposição e que testar cães com menos de 7 meses de idade não tem valor. Um resultado negativo em um filhote, ou em um cão adotado há dois meses, não significa que ele esteja livre: significa que ainda é cedo para saber.

A pesquisa de microfilárias, feita com o teste de Knott modificado ou por observação direta em lâmina, complementa o quadro por dois motivos. Confirma que o animal é fonte ativa para os mosquitos e, sobretudo, identifica os cães microfilarêmicos antes do início de qualquer medicação preventiva, porque a destruição rápida de um grande número de microfilárias pode desencadear reação adversa séria. É esse o motivo técnico pelo qual nenhum tutor deve comprar preventivo por conta própria e começar a dar em casa.

Uma parte dos animais tem infecção oculta, com vermes adultos presentes e nenhuma microfilária circulando, situação que apareceu em 11,6% da amostra de Cabo Frio. Nesses casos, só o teste de antígeno detecta. Por isso a recomendação da American Heartworm Society é fazer as duas pesquisas em conjunto e interpretar resultados discordantes com cuidado.

Confirmada a infecção, o veterinário costuma pedir exames para estadiar a doença antes de tratar: radiografia de tórax, ecocardiograma quando há suspeita de carga alta, hemograma e bioquímicos. Esse estadiamento define o risco do próprio tratamento.

Tratamento: eficaz, mas longo, caro e dependente de repouso

A dirofilariose canina tem tratamento, feito com um medicamento adulticida injetável de prescrição veterinária aplicado em protocolo escalonado, associado a antibiótico, anti-inflamatório e restrição rigorosa de exercício por semanas.

O protocolo hoje considerado padrão é descrito pelo Manual Veterinário MSD como uma injeção inicial, seguida 30 dias depois por duas aplicações com intervalo de 24 horas, esquema que reduz a carga parasitária de forma gradual. A mesma fonte reforça que a restrição de exercício deve continuar por 6 a 8 semanas após a injeção final. Doses e produtos são decisão exclusiva do veterinário responsável.

O motivo do repouso obrigatório é o que mais surpreende os tutores. Quando os vermes adultos morrem, seus fragmentos são carregados para os ramos menores das artérias pulmonares e provocam reação inflamatória intensa, com risco de tromboembolismo. Exercício aumenta o fluxo sanguíneo pulmonar e potencializa esse risco. Um cão que se sente melhor no meio do tratamento e é solto para correr no quintal pode morrer justamente porque o tratamento está funcionando.

O protocolo também costuma incluir uma etapa com antibiótico da classe das tetraciclinas, indicada para atuar sobre a Wolbachia, bactéria que vive em simbiose dentro do próprio verme e participa da resposta inflamatória. É mais um exemplo de por que antibiótico não deve ser usado sem prescrição e sem diagnóstico, preocupação de saúde pública acompanhada de perto pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária.

Em custo e em tempo, o tratamento pesa: meses de acompanhamento, retornos, exames de controle e restrição de rotina para a família inteira. Comparada com isso, a prevenção mensal é irrisória, e essa aritmética é o argumento mais convincente a favor do preventivo.

Um alerta necessário: nunca use ivermectina de uso agropecuário para tratar ou prevenir dirofilariose em cães. A concentração é feita para animais de grande porte, o erro de dose é fácil e potencialmente fatal, e raças do grupo dos pastores têm sensibilidade genética a esse tipo de fármaco.

Prevenção: o único ponto em que o tutor controla o resultado

Não existe vacina contra dirofilariose, e a prevenção eficaz combina medicação preventiva mensal prescrita pelo veterinário, teste antes de iniciar e repetido anualmente, e redução da exposição a mosquitos.

A base farmacológica são as lactonas macrocíclicas, classe presente em comprimidos palatáveis, produtos de aplicação tópica e injetáveis de longa duração. Elas eliminam as larvas adquiridas no período anterior, e é por isso que a regularidade importa: pular um mês abre uma janela em que as larvas amadurecem até um estágio que o preventivo já não alcança. O Manual Veterinário MSD é direto ao afirmar que a administração de um preventivo à base de lactona macrocíclica durante o ano todo é o único modo de prevenir de forma confiável a infecção.

No Brasil, o uso contínuo faz ainda mais sentido do que em países de clima temperado, porque não temos inverno rigoroso o suficiente para interromper a atividade dos mosquitos na maior parte do território. A ideia de suspender o preventivo entre maio e setembro, importada de protocolos do hemisfério norte, não se sustenta em Fortaleza, Salvador, Rio de Janeiro ou Florianópolis.

A segunda camada é ambiental. Eliminar criadouros, manter telas em janelas e no canil, não deixar o cão dormindo ao ar livre nos horários de maior atividade dos vetores e usar repelentes registrados para uso veterinário reduzem o número de picadas. As diretrizes do Companion Animal Parasite Council incluem essa combinação de preventivo sistêmico com redução de exposição.

A mesma disciplina de controle de parasitas protege contra outras doenças relevantes. O manejo de ectoparasitas está detalhado no guia sobre pulgas e carrapatos em cães e gatos, e o controle do mosquito-palha, vetor de outra enfermidade grave, aparece no texto sobre leishmaniose visceral canina. Nenhuma dessas medidas substitui o calendário de imunização, organizado no guia de vacinação de cães e gatos.

Dirofilariose em gatos: menos frequente, mais imprevisível

Gatos também podem ser infectados por Dirofilaria immitis, com carga parasitária muito menor que a dos cães, mas com quadro clínico mais imprevisível, incluindo sinais respiratórios que imitam asma e casos de morte súbita.

Os números explicam a diferença. Segundo o Manual Veterinário MSD, a taxa média de sucesso das larvas infectantes é de 56% em cães e de apenas 6% em gatos, cuja carga costuma ficar em 1 a 3 vermes adultos. O gato é um hospedeiro pouco adequado, e boa parte das infecções nem chega a produzir vermes maduros. O problema é que mesmo um único verme, em um animal pequeno, pode desencadear uma reação pulmonar intensa.

O diagnóstico felino é mais difícil por causa da carga baixa: testes de antígeno perdem sensibilidade quando há poucas fêmeas adultas, microfilárias raramente aparecem, e costuma ser necessário combinar sorologia de anticorpos, imagem e avaliação clínica. Também não existe tratamento adulticida seguro estabelecido para a espécie, o que desloca o peso da estratégia para a prevenção, com produtos formulados para gatos e prescritos por veterinário. Gatos domiciliados têm risco menor, mas não nulo, porque mosquitos entram em apartamentos com facilidade.

E as pessoas? O que se sabe sobre dirofilariose humana

O ser humano pode ser picado por um mosquito infectado, mas é um hospedeiro inadequado: o verme quase nunca amadurece, e o desfecho típico é um nódulo pulmonar solitário benigno, descoberto por acaso e frequentemente confundido com câncer de pulmão em exame de imagem.

Os registros brasileiros são poucos. O artigo de revisão da Ciência Rural aponta que, dos casos humanos citados na literatura, apenas 17 haviam sido descritos no Brasil, número que os próprios autores consideram compatível com subdiagnóstico. A série mais conhecida é a do Jornal de Pneumologia, que descreveu sete casos de dirofilariose pulmonar humana em Florianópolis, com nódulo pulmonar solitário em seis dos sete pacientes e necessidade de biópsia na maioria deles.

O que essa informação deve provocar não é medo do próprio cão, e sim clareza sobre o mecanismo. Nenhuma dessas pessoas se infectou por conviver com um animal doente: todas foram picadas por mosquitos. A medida sanitária que reduz risco humano é a mesma que protege o animal, ou seja, tratar os cães infectados, manter a população canina sob prevenção e combater criadouros.

Perguntas frequentes

Dirofilariose passa de um cachorro para outro?

Não. A transmissão exige um mosquito. Um cão infectado não contamina outro por contato, lambida, comedouro compartilhado ou brincadeira. O que acontece é indireto: o cão doente serve de fonte de microfilárias para os mosquitos da região, e esses mosquitos podem infectar outros animais dias depois. Por isso não faz sentido isolar um cão diagnosticado dos companheiros de casa, mas faz sentido tratar o animal, testar os demais e manter todos sob prevenção.

Vermífugo comum previne o verme do coração?

Não previne. Os vermífugos usados contra vermes intestinais agem sobre parasitas do trato digestivo e não protegem contra as larvas de Dirofilaria immitis que circulam na corrente sanguínea. A prevenção depende de outra classe de medicamentos, as lactonas macrocíclicas, em apresentações específicas para essa finalidade e prescritas por médico-veterinário. Alguns produtos combinam as duas ações no mesmo comprimido, mas isso precisa estar declarado na bula.

Meu cão nunca sai de casa. Ele precisa de prevenção?

Provavelmente sim, sobretudo no litoral ou em região metropolitana quente. O estudo da Ilha de São Luís encontrou 43% de infecção entre cães estritamente domiciliados, percentual maior que o observado nos animais de rua da mesma pesquisa, o que mostra que viver dentro de casa não impede a picada. A decisão sobre iniciar o preventivo é do veterinário e leva em conta a prevalência local, mas ficar em casa não é fator de proteção suficiente.

Quando devo testar meu cão para dirofilariose?

O teste de antígeno só é confiável cerca de 7 meses após a infecção, e testar filhotes com menos de 7 meses de idade não tem utilidade. A orientação usual é iniciar a prevenção conforme indicação veterinária, fazer o primeiro teste no momento apropriado e repetir o exame anualmente. Cães adotados, resgatados da rua ou vindos de área endêmica devem ser testados antes de qualquer mudança no esquema, porque iniciar preventivo em um animal com microfilárias circulando pode desencadear reação adversa grave.

Dirofilariose tem cura?

Tem, na maior parte dos casos diagnosticados a tempo. O tratamento adulticida elimina os vermes adultos, e cães em estágio inicial costumam se recuperar bem. O que não volta ao estado original é o dano já causado às artérias pulmonares: a inflamação crônica deixa alterações vasculares que podem persistir depois da eliminação do parasita, e alguns animais mantêm limitação de exercício ou tosse residual. Casos avançados, com insuficiência cardíaca instalada ou síndrome da veia cava, têm prognóstico reservado.

Fontes